sábado, 4 de abril de 2015

Exclusão da tecnologia ou trazê-la como ferramenta pedagógica?


Dando continuidade ao post do Marcus, pretendo, de alguma maneira responder a essa pergunta. A tecnologia já está em nossas vidas desde que nascemos, uma vez que acompanhamos a evolução da sociedade em que estamos inseridos.
É inegável a contribuição de determinadas ferramentas em nosso cotidiano. Quer exemplo maior disso do que o computador? Dificilmente frequentamos algum supermercado, loja ou recepção de qualquer clínica médica que não possua ao menos um. Mais improvável ainda é a casa de classe média que não tenha um deles, seja para o pai que trabalha com a contabilidade do escritório, seja para a mãe que confere as receitas num site ou para a filha que fez da Wikipédia a nova Barsa.
Já está claro que a grande maioria das tecnologias – ao menos, aquelas as quais conheço e tenho acesso – estão ao nosso dispor para solucionar possíveis problemas com maior agilidade e eficácia. Com isso, ficam as dúvidas: Por que ainda há tanta resistência com a presença do celular em sala de aula? Por que há tanta incredulidade nos trabalhos feitos com acesso a internet? Por que o professor se recusa a modernizar sua metodologia?
Bom, um considerável motivo está no medo do professor que muitas vezes se acha “velho demais” para entender como o computador ou as inúmeras ferramentas que a internet tem ao seu dispor. Entretanto, será realmente o professor sempre o culpado? Quantos data shows de fato operacionais podemos encontrar numa escola pública? Quantos computadores se teriam para atender a uma turma de 40 alunos, ou mais de uma turma simultaneamente?
Para resolver esse problema, tem-se as verbas escolares que poderiam ser melhor distribuídas a fim de sanar um pouco dessa deficiência. Outra parte dessa relação se tornaria infinitas vezes mais rentáveis, no quesito qualidade em sala de aula, se os professores recebessem oficinas, palestras e devido treinamento para estarem sempre atualizados com relação aos instrumentos disponíveis para incrementar a metodologia individual de cada um, isso sem mencionar o currículo. O professor é um pesquisador, e deve estar sempre atento as novidades que o circundam. Compartilhar essa série de experiências e estudos online também seria algo de grande valia, ao meu ver.
Outra questão importante é: qual seria o nível real de comprometimento de um aluno que pode, a qualquer momento, desviar o foco da aula para o seu status no facebook? O nível de maturidade de um adolescente infelizmente não é alto, sejamos sinceros. Mas acredito que aí se encontra o papel do professor: ser um orientador, um guia. Apontar uma direção na qual o aluno encontre um horizonte novo. Uma saída útil seria mostrar, dentro do próprio site, páginas interessantes aos alunos, que incluam conteúdos vistos em sala de aula.
Com a portabilidade do celular o aluno “intratável” ou “desinteressado” pode procurar por informações adicionais que façam a interdisciplinaridade com outra matéria com a qual ele tenha maior afinidade, ou mesmo conferir alguma informação que o professor não saiba ou não tenha certeza.  

Encorajar os alunos a acharem essas informações pode ser uma proposta interessante de trabalho, uma vez que aquele que trouxesse a “novidade” se sentiria incluído no processo de aprendizagem e, simultaneamente, daria abertura de participação a outros alunos. Buscamos uma escola em que o relacionamento entre aluno e professor se transforme da hierarquia do medo a um lugar de convivência e respeito mútuo.

Abraço.


Fernanda Sousa,
Acadêmica de Letras Inglês/Potuguês.

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